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Tradução de
um texto original de Dan Radler
World Class Adjudicator
Gostaria de tentar
responder a uma questão frequente e de interesse quer para
os espectadores quer para os pares em competição: Que
aspectos são tidos em conta na avaliação da
performance dos pares?
Os critérios que
um júri pode tomar em consideração são na
verdade demasiados para examinar individualmente num curto espaço
de tempo, dado que pelo menos 6 pares estão a ser julgados ao
mesmo tempo. Posto isto, o júri tem de se basear nas primeiras
impressões que teve de cada par. O júri experiente,
tendo visto e estudado dança a vários níveis,
consegue ajuizar estes factores em conjunto:
Postura:
Um dos aspectos mais
importantes. Uma boa postura torna o par mais elegante e transmite
confiança. Melhora o seu equilíbrio, o seu controlo, e
permite ao par dançar em contacto nas Danças Clássicas.
Os resultados em Competição são muitas vezes
proporcionais à correcta postura do par. Daí o
provérbio, “A prática persistente das regras de
postura promete a perfeição.”
Tempo:
Se um par não
está a dançar dentro do ritmo da música, não
importa quão competente é nos restantes aspectos, nada
pode sobrepor-se a isso. A música é que manda.
Linha:
Traduz-se na extensão
e alcance do corpo desde a cabeça até aos dedos dos
pés. Linhas atractivas e bem executadas, quer direitas quer
curvas, acentuam o contorno das figuras.
Pega:
O correcto e inalterado
posicionamento de partes do corpo quando em posição de
pega fechada. Por exemplo, a linha dos braços do homem deve
permanecer inalterada de cotovelo a cotovelo. Da mesma maneira, deve
existir simetria entre os braços do homem e da mulher que se
unem para formar un círculo, que, apesar de poder variar em
tamanho, deve manter-se constante na sua forma para que os dançarinos
mantenham um correcto posicionamento dos corpos. A silhueta ou
recorte do par deve ser sempre agradável.
Poise:
Nas Danças
Clássicas, a extensão do corpo da mulher para cima,
para fora e para a esquerda junto ao braço direito do homem
para alcançar equilíbrio e ligação à
pega, bem como para se projectar ao público.
Sintonia:
A fusão do peso
do corpo de duas pessoas, de forma a que comandar e seguir aparente
ser executado sem esforço, e que o par está em
sincronia um com o outro.
Musicalidade e
expressão:
A caracterização
da dança à música que está a ser tocada e
a adesão da coreografia às frases musicais e tempos
fortes; por exemplo, no Foxtrot, roubar tempo de um passo para
permitir ao par flutuar no seguinte; ou um instante de rapidez numa
rumba lenta; ou o impacto com a cabeça de forma a congelar e
de seguida fundir-se lentamente no Tango.
Apresentação:
Será que o par
está a actuar para o público? Dança para o
público, com entusiasmo, demonstrando o seu prazer pela dança
e a sua confiança? Ou apresentam-se inibidos e preocupados?
Potência:
A energia é
agradável de ver. Tenho reparado que, no Jive, parece que o
par que apresenta mais energia acaba por vencer essa dança.
Mas a energia tem de ser controlada. Por exemplo, um movimento
com
energia é importante numa Valsa ou Foxtrot, mas somente se
canalizada para um correcto movimento, e não apenas aplicada
através de passos grandes. Portanto a canalização
da energia para o início de uma figura tem de ser controlada e
mantida durante o princípio e fim da mesma.
Pernas e pés:
O acariciar do chão
no Foxtrot de forma a alcançar suavidade; a deliberada
suspensão e posicionamento dos pés no Tango
proporcionando o staccato; o correcto movimento de dobrar e esticar
os joelhos na rumba para criar movimentos de anca; a extensão
dos tornozelos e o apontar do dedo do pé na perna que não
tem o peso do corpo para realçar uma figura; o uso sequencial
das quatro articulações (anca, joelho, tornozelo, e
dedos dos pés) para alcançar envolvência na acção
e potência; o esticar e dobrar dos joelhos na Valsa para criar
elevação; o uso da parte interior e exterior dos pés
para criar linhas caem nesta muito importante categoria.
Forma:
A forma é a
combinação de movimentos de forma a criar um aspecto ou
posição. Por exemplo, no Paso Doble, será que o
homem cria a aparência de estar manobrando uma capa? Será
que a mulher simula a fluidez de uma capa a movimentar-se? No
Foxtrot, será que o homem usa a forma adequada nos passos por
fora do par para permitir que o contacto do corpo seja mantido?
Comandar e seguir:
O homem comanda com o
corpo e não somente com os braços? A mulher segue sem
esforço ou o homem tem de a auxiliar?
Competência em
pista:
Este aspecto diz
respeito não somente à capacidade de evitar choques com
outros pares, mas também à abilidade para continuar a
dançar sem parar quando se encontram no meio de vários
pares. Demonstra o comando do par através da coreografia e a
capacidade do homem de escolher e comandar figuras fora da sua
coreografia quando necessário.
Outros:
Como o aspecto do par
tido em conjunto, se encaixam emocionalmente, a aparência,
roupa, a fluidez da coreografia, e se em resumo o par se parece e
comporta como dançarino; todos estes aspectos afectam a
percepção do júri e consequentemente a sua
avaliação.
Júris diferentes
têm preferências diferentes quanto aos aspectos que
preferem ver, e graduam estes aspectos de maneira diferente. Um júri,
por exemplo, pode estar mais atento à técnica, ao passo
que outro prefere a expressão e musicalidade de um par. Apesar
de ambos os aspectos serem obviamente importantes e tidos em conta, o
mesmo poderá resultar em avaliações muito
diferentes de um par.
Pares que se questionam
sobre o porquê de um júri lhes ter dado uma
classificação muito alta ou muito baixa, devem saber
que qualquer dos aspectos aqui enumerados pode ser a causa dessa
avaliação. O uso do calcanhar quando a ponta do pé
era essencial poderá prejudicar o par aos olhos de um júri
da mesma forma que o cuidado com o movimento de juntar os pés
poderá ajudar.
Como o júri
observa cada par somente por breves instantes, tudo o que chama a
atenção poderá ser um factor decisivo, quer
positiva quer negativamente, na avaliação.
Os pares de competição
devem ter a certeza de que nenhum júri os avalia por qualquer
outra razão além da sua interpretação
sobre a performance em pista. A maioria dos júris respeitam a
suas próprias convicções, e tentam fazer o seu
trabalho
consciensiosamente. De toda a forma, nenhum júri vos
poderá influenciar positiva ou negativamente, o uso de uma
equipa de júris assegura que os resultados finais sejam
correctos e equitativos.
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